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Igreja
Presbiteriana Independente de Vila Carrão |
Numa época em que os restaurantes e churrascarias se multiplicam, o jejum parece estar, a cada dia, mais fora de moda. Por esta razão e por ignorar o que as Escrituras ensinam sobre o assunto, muitos cristãos estão se tornando céticos com relação ao jejum. Decorrente dessa onda de ceticismo, com freqüência surgem as seguintes perguntas: É bíblico jejuar? O jejum é uma prática recomendada ao cristão em nossos dias? O que é certo no jejum? I. O ENSINO BÍBLICO SOBRE O JEJUM Muitas das pessoas mencionadas na Bíblia jejuaram. Dentre essas, destacam-se Moisés (Êx 34.28), Ana (1 Sm 1.7), Davi (2 Sm 1.12; 12.22), a nação de Israel (Lv 23.27), Jesus Cristo (Mt 4.2), os discípulos de João Batista (Mc 2.18; Lc 5.33), Paulo (At 9.9), e tantos outros. É de grande relevância notar que em toda a Bíblia existe apenas um único jejum público ordenado, o Dia da Expiação (Levítico 16:19-31) mas, em tempos de crises especiais, tanto a nação inteira (2 Crônicas 20:3; Esdras 8:21; Neemias 9:1) como os indivíduos, jejuavam (2 Samuel 12:16; Neemias 1:4; Salmos 35:13; 69:10). Nos anos do cativeiro, alguns novos jejuns foram evidentemente adicionados para comemorar as calamidades que aconteceram à nação, nas mãos dos babilônicos (Zacarias 8:19). Nos dias de Jesus, os fariseus tinham tornado o jejum privado em uma rotina habitual de jejum duas vezes por semana (Lucas 18:12). Por toda a História, grandes homens de Deus buscaram seu poder e bênção através do jejum. Dentre esse grandes homens, destacam-se Martinho Lutero, Calvino, João Knox, João Wesley, João Nelson Hyde, João Bunyan, Gunnar Vingren e Daniel Berg. Jonathan Edwards jejuou vinte duas horas antes de pregar o seu famoso sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado", cuja influência é sentido ainda hoje. Carlos Finney, famoso evangelista americano do começo do século antepassado, muitas das vezes interrompia os cultos de avivamento, quando percebia que os seus ouvintes se mostravam indiferentes à sua pregação, e imediatamente proclamava um período de jejum e oração. Quando notava que Deus começava a despertar os corações reiniciava as suas reuniões. 1.1. Tipos de jejum A) Quanto ao conteúdo De acordo com o estudo das Escrituras, existem pelo menos três tipos de jejum, quanto ao conteúdo: o jejum típico, o jejum completo, e o jejum parcial. 1.1.1. O jejum típico Este jejum não implica em abstinência de líquidos, mas apenas de alimentos sólidos. Após o jejum de quarenta dias e quarenta noites no deserto, lemos que Jesus "teve fome" (Mt 4.2). Como seria fisicamente impossível uma pessoa normal jejuar por tanto tempo sem ingerir líquidos, grande número dos estudiosos da Bíblia acreditam que Jesus bebeu água o deserto, abstendo-se apenas de alimento sólido. 1.1.2. O jejum completo Este jejum, também chamado de jejum absoluto, consiste na abstinência de alimento sólido e de água (At 9.9). Deverá ser praticado cercado de cautela, e não pode ser muito prolongado, devido aos riscos para a saúde. 1.1.3. O jejum parcial Este jejum é caracterizado pelo que
se come e pela freqüência com que se come. Em primeiro lugar, o jejum parcial
significa abster-se de certos alimentos. Alguns estudiosos das Escrituras,
interpretam a atitude de Deus de não comer do manjar do rei (Dn 1), como um
jejum parcial. B) Quanto à origem 1.1.4. O jejum Ritual Praticado regularmente, com objetivos ritualísticos, característica da lei e prática judaica e de outras religiões. É o jejum ordenado: Lv 16.29-31. 1.1.5. O jejum Espontâneo Era o jejum mais freqüentemente
praticado no VT e NT, por deliberação pessoal ou por convocação, porém
sempre voluntário. a) Na Bíblia, o jejum espontâneo tem os seguintes objetivos: 1. Honrar a Deus: Is 58.3-7, Mt 6.18 b) Características do Jejum Bíblico Espontâneo 1. Quebrantamento: Sl 69.10, Ne 9.1 1.2. A duração do jejum Na maioria das vezes, o jejum
bíblico durava apenas um dia. Ia de pôr-do-sol a pôr-do-sol. Isto é, a
pessoa não comia nada desde o anoitecer até o fim da tarde do dia seguinte.
Só no final da tarde, então, ela podia ingerir algum tipo de alimento (Jz
20.26; 1 Sm 14.24; 2 Sm 1.12; 3.35). Apenas Moisés, Elias e Jesus Cristo são
indicados na Bíblia como tendo jejuado quarenta dias seguidos. Independentemente de qualquer determinação normativa quanto a duração do jejum, o interessante é que cada um busque a orientação divina neste sentido. 1.2. O Jejum e o recolhimento Durante o jejum recomenda-se
abster-se de televisão, relações conjugais e outras distrações. É
preferível um pequeno período de jejum completo do que um grande período
cheio de "atividades", sem alimentação. 1.4. Os perigos do jejum Talvez lhe cause estranheza a
afirmação de que existem alguns perigos na prática indiscriminada do jejum.
Talvez seja por isso que a Bíblia não tenha um mandamento explícito com
respeito à melhor ocasião para o jejum e a duração dele. II. POR QUE JEJUAR O jejum se distingue da greve de fome, cujo propósito é protestar, exigir direitos, adquirir poder político ou atrair a atenção para uma boa causa. Distingue-se, também da dieta de saúde ou estética, que acentua a abstinência de alimento, para propósito meramente físico e não espiritual. Na Bíblia, jejum não é dieta, não é greve de fome e nem mesmo um recurso ascético ou de elevação espiritual. É sempre um ato de humildade, humilhação e reconhecimento extremo da dependência que temos de um Deus Santo, Soberano e Onipotente. Por isso, não raro o jejum era
acompanhado freqüentemente e principalmente, no Velho Testamento, com os
costumeiros sinais de luto: o uso de roupa de pano de saco e a cobertura de si
mesmo com pó e cinzas (Neemias 9:1; Ester 5:1; Daniel 9:3). 2.1. Devemos jejuar pela nossa nação É público e notório que a nossa
pátria vive uma crise política social e espiritual sem precedente. Os meios de
comunicação de massa transforma os lares brasileiros em verdadeiras lixeiras,
com suas programações recheadas de violência e promiscuidades sexuais. O
crescente interesse pelo feiticismo, o espiritismo e demas formas de ocultismo,
tem feito do Brasil um centro de ação das forças do inferno. Urge, pois,
jejuarmos e orara a Deus pedindo que Ele sare a nossa nação (2 Cr 7.14). 2.2. Devemos jejuar pelos nossos próprios problemas Certamente que a Igreja no Brasil
tem perdido muito da força do seu testemunho. A sua presença hoje quase não
é notada como uma influência positiva junto à comunidade da qual é parte. É
o sal perdendo o seu sabor e sendo pisado pelos homens (Mt 5.13). Por que isto
vem acontecendo? Vem acontecendo pela ausência de poder espiritual na vida do
cristão como indivíduo. 2.3. Devemos jejuar em tempos de aflição Israel fez isto muitas vezes. Jejuou
face a uma iminente guerra com os benjamitas (Jz 20.26), bem como antes duma
terrível batalha contra os filisteus (1 Sm 7.6). 2.4. Devemos jejuar antes de tomarmos grandes decisões Antes de começar o seu ministério
público, Jesus jejuou durante quarenta dias e noites (Mt 4.2). O envio de Saulo
e Barnabé como missionários da igreja em Antioquia, foi precedido dum período
de jejum e oração (At 13.2). 2.5. Devemos jejuar na esperança da vinda de Cristo Face à pegunta dos discípulos de
João Batista: "Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus
discípulos não jejuam?", Jesus respondeu: "Podem porventura andar
triste os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém,
virão em que lhe será tirado o esposo e então jejuarão" (Mt 9.14,15).
Noutras palavras: enquanto Jesus estivesse com os seus discípulos, era
compreensível que eles não jejuassem; porém, tão logo Ele (o esposo)
voltasse para o Céu, os seus discípulos haveriam de jejuar. III. COMO JEJUAR Já vos disse que jejuar é muito
mais que abster-se de alimentos. O Antigo Testamento define o jejum como
"afligir a alma" (Is 58.3). Deste modo, para que o jejum tenha algum
valor perante Deus, é necessário que ele tenha um objetivo espiritual
específico. 3.1. Determine previamente o tempo de duração do jejum Não é bom iniciar o jejum sem a decisão prévia quanto ao tempo de uração. Para o crente que não tem o costume de jejuar, o melhor é começar jejuando em espaços de tempos menores, e ir aumentando o tempo de duração à medida que adquire experiência no jejum. 3.2. Comece abstendo-se de alimentos apenas sólidos Já mostramos o risco do corpo
permanecer por muito tempo sem ingerir líquidos, principalmente nas primeiras
experiências do jejum. Beber água é necessário, para evitar desidratação. 3.3. Planeje algum tempo de oração durante o jejum Como dificilmente podemos nos dar à meditação e à oração enquanto trabalhamos, seria pouco recomendável jejuar durante o exercício de nossas atividades diárias. Jeju e oração estão interligados. 3.4. Dê lugar ao arrependimento no seu coração Em Davi temos o exemplo dum homem humilde diante de Deus. Ele mesmo diz: "Chorei, em jejum está a minha alma, e isso se me tornou em afronta" (Sl 69.10). O jejum que não torna o nosso coração manso e humilde, acessível ao arrependimento, tem menos valor que uma greve de fome. 3.5. Escolha alguns versículos bíblicos para meditação Dentre outras, o jejum tem a propriedade de aprofundar a meditação. Portanto, nada melhor para meditar do que na Palavra de Deus. Devemos meditar nos versículos que se tornem ponto de apoio para nossas petições durante o jejum. 3.6. Jejum com um propósito específico Ester e as suas companheiras jejuaram no sentido de que os filhos de Israel fossem poupados da tirania de Hamã (Et 4.16,17). Jesus jejuou quarenta dias e quarenta noites com o propósito de vencer o adversário e inaugurar o seu ministério terreno de forma triunfal (Lc 4.1-21). De igual modo nós devemos ter um propósito específico em mente ao tomarmos a decisão de jejuar. 3.7. Jejue com uma atitude de perdão Ira, amargura, ciúme, discórdia e medo - se estiverem dentro de nós, aflorarão durante o jejum. A princípio racionalizaremos que a ira é devido à fome; depois descobriremos que estamos irados por causa do espírito de ira e a ausência duma atitude de perdão, que há dentro de nós. 3.8. Jejue, não como os hipócritas (Mt 6.16) Como jejuam os hipócritas? Nos dias
de Jesus eles jejuavam contristados, com rostos desfigurados, como forma de dar
a entender aos homens que estavam jejuando. 3.9. Jejue divorciado da falsa piedade (Mt 6.17,18) Ao contrário dos fariseus
hipócritas, que revestidos duma piedade superficial, duma falsa
espiritualidade, jejuavam para chamar a atenção dos homens, Jesus recomenda:
"Porém tu, quando jejuares, nge a tua cabeça e lava o teu rosto. Para
não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu
Pai, que vê em oculto, te recompensará" (Mt 6.17,18). Conclusão Diante de tudo o que se expôs, pergunta-se, então: TODO CRISTÃO DEVE FAZER JEJUM ? A resposta nua e crua é:Não. a) Somente devem jejuar aqueles que
tiverem condições físicas para isto. Fica evidente, no estudo bíblico da relação dos cristãos com o jejum, que Jesus não instituiu nenhum dia de jejum para a igreja, quer público, quer privado. Não há também, nenhuma indicação de que ele ordenou o jejum como um ato usual de devoção. O que ele ensinou é que haverá tempos de profunda preocupação, quando o jejum será um companheiro natural de nossas orações. Isto parece ser exatamente o que era praticado na igreja de Antioquia, e por Paulo e Barnabé (Atos 13:3; 14:23) e deveria ser nosso guia atualmente. Clara, é portanto, a importância e as benesses do jejum bíblico para a vida a cristã, porém, é preciso estar consciente do espírito que deve nortear essa prática, sob o risco de o jejum se tornar nulo, nada mais que uma dieta alimentar ou uma greve de fome sem valor espiritual. Note-se que, infelizmente, até mesmo o jejum do Dia da Expiação, que era para ser uma expressão nacional de humilde contrição pelos pecados de Israel, freqüentemente se tornava nada mais do que um ritual vazio. "Eis que", disse Deus através de Isaías, "jejuais para contendas e rixas . . . jejuando assim como hoje não se fará ouvir a vossa voz no alto" (58:4). A história do Velho Testamento se encerra com esta magoada pergunta do Senhor ao seu povo: "Quando jejuastes e pranteastes . . . foi para mim que jejuastes?" (Zacarias 7:5). Jejuar não é obrigação, mas um recurso espiritual. A Palavra de Deus não nos impõe uma norma para o jejum, mas nos aponta-o como um dos grandes instrumentos de Deus consagração, para edificação do povo de Deus e canal de bênçãos. Adaptado de Artigo do Pr. RAIMUNDO
DE OLIVEIRA - Teresina-PI (raife@terra.com.br ) e outros sites evangélicos. Rev. Luiz Pereira de Souza |