Igreja Presbiteriana Independente de Vila Carrão
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Dízimo, opção ou mandamento?

Valdir Flora Batista (16/08/2003)
 


"Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem, também será usada para vocês". Lucas 6.38.

      Alguns assuntos na Bíblia causam muitas controvérsias, e dízimo é seguramente um deles. Por que isto acontece? Talvez porque vivemos em uma sociedade consumista, que tem o dinheiro como prioridade. Outros acham que a igreja é rica e já tem muita gente que dizima e, quando as nossas finanças melhorarem, 'iremos dizimar'. Ou porque achamos que dízimo é ordenança do Velho Testamento, e agora estamos debaixo da Nova Aliança e não estamos mais debaixo da lei e sim, da graça. Certamente, quando não estamos dispostos a crer na Palavra de Deus, vamos conseguir muita argumentação lógica para justificar nossa postura.

      Iniciaremos este estudo com alguns textos sobre dízimo, onde Champlin diz;

      São usadas duas palavras No Velho Testamento:

  • Asar, "dez", "décima parte". Com o sentido de dízimo aparece por sete vezes: Gen 28.22; Deu 14.22; 26.12; I Sam 8.15,17; Nee 10.37,38. A raiz original desse termo significa "acumular", "crescer", "ficar rico";

  • Maaser, "décima parte" palavra usada trinta e duas vezes: Gen. 14.20; Lev 27.30-32; Num 18.24,26; Deu 12.6,11,17; II Crô 31.5,6,12; Nee 10.37,38; Amós 4.4; Mal 3.8,10.

No Novo Testamento há duas formas verbais e uma nominal, a saber:

  • Dekatóo, "dar uma décima parte", "dizimar", que aparece somente por duas vezes: Heb 7.6,9.

  • Apodekatóo, "dar uma décima parte", "dizimar", e que no grego é uma forma composta da primeira, que figura por três vezes: Mat 23.23; Luc 11.42 e Heb 7.5.

  • Dekáte, "décimo", uma forma ordinal, usada apenas em Heb 7.2,4,8,9.

      Fora da cultura judaica através de antigas alusões literárias, sabemos que o dízimo existia em muitas nações antigas, sob uma forma ou outra. O trecho de Gênesis 14.17-20 nos informa sobre o costume antes da lei mosaica. Sabemos que a prática existia entre os gregos, os romanos, os cartagineses e os árabes. Nessas culturas, como entre os hebreus, o dízimo fazia parte da piedade religiosa.

      O Antigo Testamento ilustra em duas oportunidades. Abraão apresentou a décima parte dos despojos do combate militar em que se envolveu, a Melquisedeque (Gen.14.20; Heb. 7.2,6). Melquisedeque foi um rei-sacerdote que refletia o sumo sacerdócio do próprio Cristo. Em segundo lugar, há o caso de Jacó, o qual, após a visão que teve em Luz, devotou uma décima parte de sua propriedade ao Senhor Deus.

      Antes da lei, os dízimos já existiam, embora não parecessem fazer parte regular do culto religioso. Em outras palavras, não havia preceito que requeresse o dízimo como um processo contínuo e específico. Porém, não se pode duvidar de que o dízimo era praticado pelos patriarcas, antes mesmo de sua instituição legal. Os dízimos passaram então a ser usados dentro do sistema de sacrifícios, como parte do culto prestado a Yahweh, para o sustento dos sacerdotes levíticos e, provavelmente, esses fundos também eram usados para ajudar os pobres, em suas necessidades.

      Originalmente, os dízimos eram dados aos levitas (Num. 18.21), tendo em vista a manutenção dos ritos religiosos. Mais tarde, isso ficou mais complexo ainda. Os dízimos eram levados aos grandes centros religiosos. Quando convertidos em dinheiro, eram postos em mãos apropriadas, para serem gerenciados (Lev. 14.22-27). Ao fim de três anos, todos os dízimos recolhidos eram levados a um lugar próprio de depósito, e seguia-se então uma grande celebração. Os estrangeiros, os órfãos, as viúvas (os membros mais carentes da sociedade) eram assim beneficiados, mediante esta prática, juntamente com os levitas (Lev. 14.28,29). Cada israelita precisava desempenhar a sua parte nessa questão dos dízimos, a fim de ser cumprido o mandamento divino (Lev. 26.12-14).

      Sobre o mesmo assunto, o pastor Antonio Carlos Barro relata: "Um dos conceitos perdidos nesta nova geração de crentes, adeptos da prosperidade e do consumismo, é o conceito da mordomia cristã. Antigamente, este era um assunto comum nos ensinos da igreja, todavia, ele perdeu a sua popularidade e conseqüentemente são poucos os cristãos que realmente tem noção daquilo que Deus espera de cada um deles com respeito aos bens materiais. O consumismo desmedido é um dos principais pecados da humanidade".

      Uma das coisas que as pessoas estão sempre questionando é a respeito do dízimo. "Ele é bíblico mesmo?" "Se eu ganho pouco eu tenho que dar mesmo assim?" "10% de tudo o que eu ganho é muito", dizem outros. Dízimo não é para ser questionado, mas obedecido. A fé e a razão estão do lado daqueles que são dizimistas fiéis, enquanto que a descrença está do lado daqueles que duvidam de Deus e do seu poder. O cristão apregoa em prosa e verso que depende de Deus, está debaixo do senhorio de Jesus Cristo, vive na direção do Espírito Santo e ao mesmo tempo não oferta e não dá dízimo! Tem incoerência maior do que esta?

      O dízimo não foi instituído na Bíblia para a nossa chateação, ou para ficarmos irritados com a igreja ou com o pastor que prega sobre o assunto. O dízimo foi instituído para a expansão do reino e a sua glória e também para que, através dele, recebêssemos as bênçãos do Senhor. Leia estes versículos abaixo:

  • "Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo". Gen. 14.20.

  • "A pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo". Gen.28.22.

  • "No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo do bordão do pastor, o dízimo será santo ao Senhor" Lev. 27.32.

  • "Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo" Deu. 14.22.

  • "Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por herança, deles apresentareis uma oferta ao Senhor: o dízimo dos dízimos" Num. 18.26.

  • "Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas" Mal. 3.8.

  • "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênçãos sem medida" Mal. 3.10.

  • "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei; a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!" Mat. 23.23.

  • "Para [Melquisedeque] Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz)" Heb. 7.2.

      Neste mesmo livro, o autor ainda apresenta algumas perguntas que inquietam os crentes com relação a aplicar ou não a prática de dizimar:

1- "Eu dou, consagro, dedico, entrego ou pago o dízimo?
Tanto faz o verbo que você quer usar, o importante é que o dízimo chegue na tesouraria da igreja. O que importa é a atitude do seu coração. Chamar de consagração e ficar lamentando por ter entregado o dízimo é muita incoerência e pecado. Cada dedicação do dízimo deve ser acompanhada com uma oração de gratidão por tantas bênçãos recebidas, e uma oração em favor da igreja que está aplicando estes recursos no trabalho do Senhor. Que cada pastor e igreja saibam que o dízimo não lhes pertence e, portanto, não podem ser usados indiscriminadamente.

2- O dízimo é sobre o bruto ou sobre o líquido?
Depende da sua atividade. Se você é funcionário de uma empresa, e os descontos do seu pagamento são para seu benefício, tais como: INSS, imposto de renda, caixa de previdência, clube, seguros, etc., então você tem que dar o dízimo sobre o bruto. Se você é autônomo, o dízimo é sobre o lucro. Por exemplo: se comprar um carro por R$ 3.000.00, e vender por R$ 3.200,00 o seu dízimo é sobre R$ 200.00. Em suma, tire o investimento e dê o dízimo sobre o lucro daquele investimento. Você é dono de uma empresa e não tem rendimento fixo: dê o dízimo sobre tudo o que gasta para sua sobrevivência. Tenha a certeza do seguinte; se quiser fugir do dízimo, achará uma desculpa, assim como se você quer ser dizimista, saberá como fazê-lo.

3- Eu posso dar o dízimo em outra igreja?
Normalmente a minha resposta é não, com algumas exceções. Eu creio que deve ser dado na igreja onde é alimentado espiritualmente. Quem compra o material da escola dominical das suas crianças? Quem paga as contas da igreja onde louva a Deus? Quem compra o som? Não acho que seja justo freqüentar uma igreja e dela receber o alimento e então dar o dízimo para outra igreja. A exceção é quando você é transferido de uma igreja para outra, e já comprometeu seu dízimo com algum projeto daquela igreja, tal como a construção ou o envio de um missionário, e ela depende de seu dízimo. Todavia, quando este projeto chegar ao fim, deve contribuir com sua nova igreja. Avise, porém, a liderança sobre o que está fazendo.

4- E posso dar o meu dízimo para um missionário amigo meu?
Também não! O dízimo não é para ser administrado por você. Se você quer entregar alguma verba para um missionário, isto é chamado de oferta voluntária ou missionária e isto está além do dízimo. Eu acho estranho que os crentes queiram fazer o bem com o dinheiro alheio. "Eu sustento um missionário na África", dizem alguns, quando na verdade isto não deveria nem ser mencionado, pois está sustentando com o dízimo. Quando alguém afirma que sustenta um missionário, eu estou pensando que a pessoa faz isto e ainda é dizimista. O que você pode fazer é apresentar o missionário que quer sustentar para a liderança de sua igreja ou o comitê de missões de sua igreja.

5- Eu não dou o meu dízimo na igreja porque não concordo com o pastor ou a liderança!
O problema é seu, que não faz nada sobre o assunto, a não ser reter o seu dízimo e falar mal da sua liderança. Se você não concorda com a liderança, isto significa que você pode manipular o dízimo do Senhor? De maneira alguma, pois as famílias crentes que são ajudadas através do dízimo precisam do auxílio da igreja, a congregação necessita construir, os obreiros no campo missionário precisam de seus salários. Se você não concorda com a liderança, você deve conversar com ela e não chantageá-la com o seu dízimo. Encontrei um crente que depositava o seu dízimo na caderneta de poupança. A razão era um desentendimento com o pastor. Falta agora encontrar um crente que esteja depositando o dízimo em juízo!

6- Eu ganho muito e não acho certo dar 10% na igreja!
A solução para o seu problema é simples: ore para que Deus diminua o seu ganho até o limite um que você julga ser capaz de dar o dizimo sem nenhuma dor no coração. Eu tenho certeza que Deus lhe ajudará a diminuir os seus recursos, se estes estão atrapalhando o seu desenvolvimento espiritual. Além de fazer esta oração, você tem também um outro problema para resolver na sua vida. Você é uma pessoa ingrata, de coração endurecido. Deus tem sido maravilhoso com você e têm lhe dado bênçãos sem limite, todavia, você usa estas bênçãos exatamente contra Deus, o doador de tudo o que você tem. Neste caso, seria bom que Deus não lhe desse tantas coisas, pois assim poderia dar o dízimo com mais tranqüilidade.
Conta-se que nos anos de 1930, uma senhora visitou um proprietário de cinco navios e lhe pediu uma oferta para construção de um orfanato. O homem atendeu ao seu apelo e lhe entregou um cheque num alto valor. Antes mesmo que a senhora saísse de seu escritório, ele recebe a notícia que um dos seus navios estava pegando fogo em alto mar. O homem imediatamente chama aquela senhora, explica o que está acontecendo e solicita a devolução do cheque. Ele escreve um outro cheque e entrega para a mulher. Para o espanto dela, a quantia era o dobro da primeira. "Mas o navio não está pegando fogo?", pergunta ela. "Sim", responde o homem, "Deus está me avisando que ainda restam mais quatro navios para pegar fogo".
Você usa a terra de Deus e todos os recursos que ela traz e não retorna nada para Deus! Você está semeando vento, portanto, prepare-se para tempestade que virá sobre sua vida. É a lei da semeadura. Implacável!

7- Eu ganho pouco e não acho justo dar dízimo. Quando eu ganhar mais eu passo a contribuir.
Provavelmente você nunca vai ganhar mais do que ganha hoje. Você não está preparado para receber mais de Deus. O princípio bíblico da fidelidade continua valendo nos dias de hoje: "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito" (Lucas 16.10). Veja ainda: "Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará" (2 Coríntios 9.6 ). Se você não é fiel quando ganha um salário baixo, será fiel quando receber um salário maior? A resposta é não! Por isso, comece e exercitar a sua fidelidade hoje e quando tiver aprendido o valor da obediência você estará pronto para receber mais das mãos de Deus.
Estava pregando em uma igreja em Fortaleza quando após o culto uma senhora veio falar comigo. Disse que era viúva, recebia apenas um salário mínimo por mês. Com aquele salário pagava um pequeno aluguel, comprava seus remédios e o pouco que sobrava era para a alimentação. Perguntou-me se deveria ser dizimista. Mesmo querendo dizer que não, eu não podia falar isto. Disse-lhe que ser dizimista era um privilégio que pobreza não poderia tirar-lhe. Orientei a irmã a que desse o dízimo e procurasse os diáconos para que auxiliassem com seu aluguel.

8- Não está escrito em II Coríntios 9.7: "Cada um contribua segundo tiver proposto no coração".
Certamente que está escrito. Tenho visto este verso em muitos envelopes de dízimo. O princípio do mesmo está certo, mas o texto está usado erradamente nos envelopes. Cada contribuição, seja dízimo ou oferta, deve ser sempre feito como amor e gratidão no coração. Todavia, este verso faz referência a uma oferta voluntária que o Apóstolo Paulo estava levantando em favor dos pobres em Jerusalém. Se for uma oferta, cada um oferte o quanto o coração mandar. Eu, quando sou desafiado a contribuir com uma oferta para alguma missão ou algo extraordinário na igreja, eu oro a Deus e a quantia que ele coloca no meu coração, eu oferto. Agora, quanto ao dízimo, eu não preciso orar a Deus e perguntar quanto ele quer que eu dizime. Isto eu já sei, é a décima parte daquilo que eu recebo.
Deus não está interessado em uma vida religiosa cheia de rituais, mas sim em uma vida que honre e glorifique o seu nome. Na minha igreja eu quero um dizimista que ame a Deus. Nas igrejas evangélicas nós temos hoje uma média de 35% dos membros que são fiéis a Deus nos dízimos. Ou seja: de cada três membros escritos no rol, apenas um é dizimista.

   

    Ao consagrar o seu dízimo, o fruto das primícias no altar, o cristão está demonstrando com este ato o quanto ele tem um coração agradecido a Deus por tantas bênçãos recebidas. Ele, que tudo sabe o que recebeu do seu Senhor, veio como um ato de bondade para a sua vida. Assim, demonstra sua gratidão trazendo os primeiros frutos ao Senhor. Notemos que são os primeiros frutos e não os últimos.

    Segundo os textos em abundância citados, podemos ter convicção que o dízimo não é opção, mas um mandamento, e agora faça uma análise imparcial deixando que a Palavra revele a vontade clara de Deus pra sua vida e faça como está escrito no texto já citado de Malaquias: "Provai-me nisto". E certamente o Deus da graça lhe dará alegria na consagração do dízimo e nas ofertas.